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| A persistência da memória, Salvador Dali, 1931. |
"Sei o que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados. - E eu não sei? Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados." Afonso Romano de Sant'Anna
"... acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação - mas por uma contemplação poética afetuosa e participante." Cecília Meireles
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
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| La Danse - Henry Matisse, 1910. |
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A outra
O que não temos quando amamos.
O barco pára, largo os remos
E, um ao outro, as mãos nos damos.
A quem dou as mãos?
À Outra.
Teus beijos são de mel de boca,
Sãos que sempre pensei dar,
E agora a minha boca toca
A boca que eu sonhei beijar.
De quem á a boca?
Da Outra.
Os remos já caíram na água,
O barco faz o que a água quer.
Meus braços vingam minha mágoa
No abraço que enfim podem ter.
Quem abraço?
A Outra?
Bem sei, és bela, és quem desejo…
Não deixa a vida que eu deseje
Mais que o que pode ser teu beijo
E poder ser eu que te beije.
Beijo, e em quem penso?
Na Outra.
Os remos vão perdidos já,
O barco vai não sei para onde.
Que fresco o teu sorriso está,
Ah, meu amor, e o que ele esconde!
Que é do sorriso
Da Outra?
Ah, talvez, mortos ambos nós,
Num outro rio sem lugar
Em outro barco outra vez sós
Poderemos recomeçar,
Que talvez sejas
A Outra.
Mas não, nem onde essa paisagem
É sob eterna luz eterna
Te acharei mais alguém na viagem
Que amei com ansiedade terna
Por ser parecida
Com a Outra.
Ah, por ora, idos remo e rumo,
Dá-me as mãos, a boca, o teu ser.
Façamos desta hora um resumo
Do que não poderemos ter.
Nesta hora, a única,
Sê a Outra!
Fernando Pessoa
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| KLIMT, Gustav. O beijo (1907-08). |
sábado, 3 de julho de 2010
AMOR
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Frida Kahlo

"Esse duplo autorretrato foi criado à época da separação de Frida Kahlo e Diego Rivera. À direita, a artista veste roupas tradicionais do México, representando a mulher que Rivera amava. Ela segura um retrato dele ainda criança e expõe o coração por inteiro. À esquerda, traja um vestido de casamento em estilo colonial; o coração está partido e goteja sange sobre a saia. Segundo a própria Frida, essa tela representa a 'dualidade' de sua personalidade.



